Sonhei que estava visitando a família da minha esposa nos Estados Unidos, era a primeira vez que nos conhecíamos pessoalmente. A casa era grande, assim como a família desse lado. Como falavam pouco português, nos comunicávamos em inglês. Alguns momentos do sonho ficaram gravados em mim de forma isolada: houve um instante em que ajudei a consertar um cano. Almoçamos em uma área externa da casa e, apesar de estarmos nos Estados Unidos, havia muitos itens antigos espalhados pelo ambiente como uma televisão de tubo, diante da qual assistíamos ao noticiário mesmo convivendo com uma outra televisão, grande e moderna. Estávamos no quintal quando outros familiares chegaram para nos conhecer.
❝Uma prima da minha esposa trouxe dois filhos pequenos: um com cerca de um ano e meio, o outro em torno de três❞
Uma prima da minha esposa trouxe dois filhos pequenos: um com cerca de um ano e meio, o outro em torno de três. Sentei no chão, abri os braços e sorri amplamente, aguardando a reação deles. Timidamente, as crianças se aproximaram e pararam bem à minha frente. A mais velha, de olhos grandes e azuis, fixou o olhar no meu e eu pude sentir que ela estava lendo a minha alma. Para a minha felicidade, ela retribuiu o sorriso, e juntas, as duas crianças me deram um longo e caloroso abraço. Em outro momento, mais familiares chegaram à casa.
Apesar da minha ansiedade sobre como seria a recepção, ela se mostrou completamente acolhedora. Em determinado momento, todos se deslocaram para outra área da propriedade. O terreno lembrava uma chácara, era vasto. Os familiares caminharam em direção a uma entrada que levava a uma construção que remetia a um castelo. Fiquei deslumbrado diante daquela obra arquitetônica, mas eu e minha esposa permanecemos onde estávamos. Sentimos que só deveríamos seguir se fossemos convidados.
Um primo mais novo se prontificou a perguntar se poderíamos acompanhá-los. Os familiares já haviam entrado no castelo quando ele voltou com boas notícias: poderíamos, sim, fazer parte do passeio. Adentramos um ambiente literalmente medieval. O teto era altíssimo, a construção de estilo gótico. Aguardávamos sentados em um longo sofá, admirando aquele momento em silêncio, deslumbrados com a grandeza de tudo, quando um familiar me ofereceu uma dose de whiskey. Estava delicioso!
Era leve, aveludado, com um suave sabor de baunilha e o melhor: era produzido ali mesmo. Foi então que compreendemos o que estava diante de nós. Toda aquela construção pertencia à tia da minha esposa. Ela era a proprietária e administradora, sozinha, de tudo aquilo. O estilo de vida modesto que levava nos Estados Unidos era uma forma deliberada de desviar a curiosidade alheia.
