A brincadeira que quase desabou
Somnia·@montini·domingo, 28 de junho de 2026

A brincadeira que quase desabou

Eu estava em um ambiente de trabalho, um escritório. Alguns rostos familiares me cercavam. A situação começou a se desenrolar quando uma entrega de produtos havia chegado destinada a uma amiga que, no sonho, era minha colega de trabalho. Essa amiga eu conheço de longa data: fui professor de inglês da filha dela e, hoje, nossos escritórios são literalmente separados por um corredor.

Quando ela chegou, perguntou sobre os produtos. Não sei bem explicar o motivo, mas o fato é que o valor na nota fiscal estava muito acima do que realmente era, o valor correto era R$ 110,00.

Resolvi pregar uma peça nessa amiga. Disse que a nota estava sobre sua mesa. Quando ela a viu, ficou muito assustada com o valor e começou a questioná-lo. Os demais colegas sabiam que se tratava de uma brincadeira. No entanto, o marido dela chegou ao escritório e ela tratou de comunicá-lo imediatamente.

Não sei explicar o porquê, mas de alguma forma eu era responsável por aquele acréscimo na nota, como se eu houvesse feito a compra e minha amiga fosse responsável pelo escritório de forma geral, cabendo a ela, portanto, arcar com aquele valor.

O marido, alguém que vejo pouco na vida real mas por quem tenho muito apreço e consideração, também me questionou sobre o valor

O marido, alguém que vejo pouco na vida real mas por quem tenho muito apreço e consideração, também me questionou sobre o valor. Comecei a dar respostas evasivas e rasas. A cada resposta minha, a expressão do seu rosto mudava, e junto com ela, a sua paciência. Ele começou a se dirigir a mim em um tom semi-agressivo. Passou a procurar a nota fiscal, até então havia sido apenas informado sobre o valor, e quando a encontrou, virou um copo de cerveja de uma vez só. Era uma pint, e parecia que ele estava retornando de alguma festa. Com a nota nas mãos, começou a lê-la item por item, visivelmente nervoso.

Em seguida, começou a ligar e a gravar mensagens de voz, como se estivesse falando com o suporte do estabelecimento onde as compras haviam sido feitas. Foi naquele momento que eu compreendi que a brincadeira já havia ido longe demais.

Perguntei: -Para quem você está mandando mensagens? Ele respondeu algo, ainda muito nervoso, dizendo que estava resolvendo aquela situação. Foi então que eu, em bom tom e com a voz bem alta, anunciei: -Então pode parar, porque tudo não passa de uma pegadinha.

O escritório inteiro irrompeu em aplausos, como em um programa de televisão. Minha amiga começou a chorar, de emoção, assim como algumas outras pessoas ao redor. A brincadeira havia sido muito bem orquestrada.

Dirigi-me até o marido, que ainda estava sentado. Ele me cumprimentou com um aperto de mão, levantou-se e me deu um abraço. Ele era consideravelmente mais alto do que eu o conhecia na vida real. Mentalmente, enquanto todos no escritório saboreavam aquele momento de descontração, eu me questionava sobre a estatura daquele amigo. No escritório também estava presente um ex-vizinho meu, alguém bastante alto, mas o marido era ainda mais alto do que ele.

No fim, tudo ficou bem.

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