Esculturas que escapam, pernas que derretem
Somnia·Anônimo·segunda-feira, 6 de julho de 2026

Esculturas que escapam, pernas que derretem

Eu estava em um centro de exposições com o pai de uma aluna e a própria aluna. Havia um estande onde as pessoas brigavam para tirar fotos de algumas esculturas faciais que remetiam à morbidez, e eu estava ali justamente por gostar desse tipo de arte. Tentei insistentemente enquadrar uma imagem para fotografar, mas ela trocava aleatoriamente com outra, escapando sempre do meu foco.

Saí do ambiente e caminhava ao lado daquele pai quando um aluno que eu já não lembrava mais me reconheceu, chamando-me para cumprimentá-lo, e o fiz.

Lembro-me de um Fusca vermelho, manobrando para passar em um caminho estreito

Lembro-me de um Fusca vermelho, manobrando para passar em um caminho estreito.

Continuei caminhando com o pai, e parei para limpar a tela do meu celular na calça, que era bege. Foi então que notei uma grande mancha no tecido. Em um primeiro momento achei que era sujeira, mas logo percebi que era sangue e sangue fresco. Me assustei. Nesse instante, senti minhas pernas começarem a enfraquecer e, em seguida, a derreter. Compreendi que a minha hora estava chegando.

Peguei o celular e tentei ligar para o meu filho para me despedir. A chamada não foi concluída.

E ali, após um grito agonizante, eu morri.

Ressonâncias

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